sexta-feira, 28 de maio de 2010

Quando eu chegar aos 70...


… quero acertar sempre a receita do bolo, mas se errar, quero dar de ombros.

... quero tricotar casaquinhos para os meus projetos de bisnetos.

... quero admirar as fotos das minhas viagens em família e dizer que não preciso mais voltar em nenhum daqueles lugares. Quero ter seus mapas no meu coração.

... quero fazer uma festa linda para comemorar os meus 70 anos e cada um dos dias que virão depois.

... quero receber mimos diariamente, apenas porque terei 70 anos e isso é muito nos dias de hoje.

... quero ser perdoada por qualquer excesso ou preocupação desmedida, porque vão compreender que já vi e já sofri o suficiente.

... quero ser ouvida duas ou três vezes no relato da mesma história, mas que é a minha história e é a que me faz feliz.

... quero furar o dedo na roseira que terei no quintal da minha casa, uma casa que terá o meu cheiro e o meu jeito depois de muitos anos dentro dela.

... quero saber quando vai chover só de olhar o céu.

... quero não enfrentar fila de nada, mas de nada mesmo, porque não terei mais nenhum tempo para perder.

... quero reconhecer nos meus filhos (ampliarei a prole até lá) a angústia dos meus 30 anos e saber que cada um deles irá passar por isso para se tornar melhor.

... quero me permitir ter tantas músicas preferidas quantos são os meus anos;

... quero dançar o ritmo do meu tempo, colada a quem eu amo, sabendo que o compasso ainda está no peito;

... quero ainda achar bom sentar no sofá com um balde de pipocas só para mim;

... quero não precisar mais chorar escondido, reclamar escondido, temer escondido. Vamos combinar que esconde-esconde é para a infância? Na velhice, quero assumir tudo.

... quero ver a lua cheia ou minguante, não me importa, quero contemplar sem esperar nada;

... quero ter saudades, muitas saudades, de quem se foi. Mas uma saudade que não doa como hoje, que não martirize como um dia. Quero sentir saudades como uma forma plena do amor;

... quero ter muitos gatinhos e trocar todos os seus nomes e os dias que estão por ali. Quero poder implicar com eles, pela sujeira que fazem, pela bagunça que aprontam, apenas para poder implicar, porque implicam demais com aqueles que são velhos.

... quero ligar para minha irmã e tratá-la como uma criança que nunca cuida daquela gripe, que teima demais quando vai ao médico e que não me obedece nunca. E com isso me sentir de novo uma irmã mais velha, uma criança crescida;

... quero jogar buraco com minhas amigas, nas quartas, impreterivelmente e quero difamar aquela que se ausentar, dizer que ela é uma velha, que se apoquenta com qualquer problema de filho;

... quero fazer hidroginástica (bem antes disso também) com uma tradicional turma, com quem irei trocar receitas, fofocas sobre a política e as histórias de seus maridos ingratos com a certeza de que, em casa, terei um companheiro com o qual vou dividir os gratos dias que ainda me restam;

... quero rir até chorar dos dias em que fiquei triste demais, em que não acreditei, em que achei que não ia dar;

... quero ser chamada de vovó por uma porção de gente, filhos dos filhos, filhos dos amigos dos filhos;

... quero ter a bênção de reconhecer Deus no fato de respirar e ter com ele diálogos muito verdadeiros sobre o nosso encontro.



Assim quero que seja, sem vírgulas fora do lugar. Então, quase no meio deste caminho, vou colocando os tijolinhos que faltam para eu chegar lá. Ainda faltam muitos, eu sei, mas não é de hoje que estou batalhando.



Esta semana que chega assim com o frio do junho já anunciado, a mãe de uma amiga completa os seus 70 anos. Não sei como ela se sente, mas queria dividir com ela o que sinto ao vê-la em idade tão madura. Sinto assim que deve ser bom, mesmo que só, que deve ser mágico se sentir prolongada na vida de outras pessoas, que deve ser sábio saber mais do que qualquer um de nós. Mas para não perder o encanto do que espero para os meus 70... não vou perguntar. Vou imaginar, porque aos 30 isso pode ser saboroso.

terça-feira, 25 de maio de 2010

Futebol, letras e cortinas




Foi assim, como em um estalo, que o pequeno veio da sala radiante me dizer:


- Mãe, o Ronaldinho vai jogar na copa de 2014.


- Onde você viu isso, filhote?


- No jornal.

A televisão estava muda e eu também.

- Que jornal?

- Este aqui.



Debaixo do braço, estava o impresso do dia, que ele abriu com bastante pressa para me mostrar a foto do Ronaldinho jogando e o título da matéria “Ronaldinho quer jogar a Copa 2014”. Esta foi a primeira frase que o Tomás leu por completo, depois de um ensaio de um ano, quando começou a ser alfabetizado. Lia algumas palavras, outras não, perdia a paciência, chorava um bocado e dizia que o mundo das letras era muito difícil.


Mas, depois do bendito álbum de figurinhas da Copa, com seus nomes estrangeiros e uma porção de informações sobre jogadores, times e afins, o menino passou a se concentrar e a juntar as informações que dormiam na sua cabeça. Da semana passada para cá, ele lê todas as placas da rua e, volta e meia, me diz:

- Eu li no jornal, mamãe!

Aberta esta cortina, que nos deixa cegos, um novo mundo se apresenta para o meu pequeno. Um mundo cheio de letras, de exceções, de regras, de poesia e de notícias.

- Mãe, eu só não entendo muito o w. Afinal, ele é u ou é v?

E saber ler o coloca em outra categoria de meninos, não só de alfabetizados, mas capaz de fazer escolhas, de entender grandezas de uma vida que está escrita a nossa volta e o mostra um caminho para ser independente e construir sua própria história. Enquanto não se sabe ler, é preciso muita iluminação para ver além da escuridão do analfabetismo. E agora o Tomás não precisa mais dela, porque a leitura está iluminando o seu caminho.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Fora do ar

O que fazer com as propagandas que assombram os nossos filhos? Diariamente, acompanho o jornal com o Tomás a tiracolo, jogando xadrez no chão da sala ou me empurrando do sofá para ver se desisto da programação. Em outros momentos, é ele quem assiste aos desenhos, enquanto eu me dedico a espiar o conteúdo e a me divertirem alguns casos (ainda adoro os Flinstones). Mas o momento mais difícil do conteúdo é o da publicidade. O Boston Medical Group com o seu “Sexo é vida” é a fichinha mais simples que tenho que preencher da nossa televisão aberta. Dá uma vontade de ficar fora do ar.


Tenho que dançar o “ilariê” para desviar a atenção do moleque quando as “boazudas” desfilam suas formas na televisão, ou quando machos trogloditas ensinam o que não se deve fazer em um relacionamento ou ainda quando adolescentes (ou seriam crianças? Nunca sei ao certo!) desenvolvem artimanhas sem caráter para conseguir os seus objetivos consumistas. Nestes momentos, queria ter a opção de ser mais radical e abolir a televisão da minha casa. Mas a falta de tempo nos torna refém desta seqüestradora de bons hábitos. É porque na correria do dia-a-dia, é invencível um pedido dele de ver televisão enquanto eu faço os trabalhos de casa. Não sei se justifica, mas é mesmo um mal inevitável. Quando tenho tempo, escuto música, conto história, invento arte, mas quando não tenho...

O fato é que há um limite nas relações do pequeno com a televisão. Existem horários pré-determinados para assistir aos desenhos e no meio deles, intervalo e muitas propagandas. Quando estou junto, explico as dúvidas, faço críticas, avalio o conteúdo. Às vezes ignoro e danço mesmo o “ilariê”. Mas ele vê e guarda o conteúdo, que se reflete depois em alguns diálogos. Esta semana, sentados no sofá, ele começa a imitar uma das que mais rodam em dias que antecedem a Copa:

- Mãe, você já viu uma propaganda que o cara atende o celular e fala com a mulher que “não vai agora não”?

- Sei. Já vi sim.

- Quando eu casar com “você sabe quem”, eu vou fazer assim... “S... eu estou aqui na casa do Mateusão, tô jogando um poquerzão, tô tomando um cocão (ele falou outra coisa, mas eu corrigi na hora)....

Momento de suspense. Ai, meu Deus, a propaganda colocou o meu projeto de cavalheiro a perder.

- E tô indo agorinha, amorzinho da minha vida! Mãe, como é que esse cara trata a mulher dele desse jeito?

Projeto de cavalheiro salvo e bem guardado, apesar de uma televisão que insiste em ser machista e preconceituosa. Sei que existe a parte 2 da propaganda, revanchista e fútil. Acho que com a nossa criatividade podemos bem mais... E as mães dos projetos de homem do futuro agradecem a quem se habilitar.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Triunfo brasileiro vale mais que uma Copa


A nação brasileira acordou hoje vencedora... E não tem nada a ver com a Copa. O Brasil celebou o acordo assinado pelo Irã, nesta segunda-feira, sobre o seu programa nuclear. Para chegar a este resultado, o presidente Lula arriscou sua fama internacional, jogou todas as suas cartas e ouviu de muitos, inclusive brasileiros, que ele estava brincando de "missão impossível". A "missão impossível" foi concluída pela diplomacia brasileira de forma diferenciada, ouvindo a outra parte, compreendendo e renovando o diálogo  com o Oriente Médio. Mostramos ao mundo que não somos um País que só sabe jogar bola e sambar. Somos bons nisso e em muita mais... O Brasil é o País deste século e que se d# os céticos! Segue belíssimo texto do Emir Sader sobre o tema.

Viva o Brasil! Viva nossa política externa soberana e independente!

(Emir Sader, em http://www.cartamaior.com.br/templates/postMostrar.cfm?blog_id=1&post_id=470&msg=Coment%26aacute%3Brio%20enviado%20com%20sucesso%21&CFID=19271290&CFTOKEN=9893af29389a482-A62C5983-F094-CDA3-17EBA5FC362724C5)



Corvos, urubus, tucanos, todos torcendo contra uma negociação pacífica do conflito em torno do Irã, porque é Lula quem conduziu essas negociações, o que fortaleceria ainda mais sua imagem. Enquanto que um eventual fracasso, mesmo que levasse a um novo conflito bélico de proporções, contanto que pudesse ser explorado internamente em termos eleitorais, favoreceria a oposição, nos seus mesquinhos e desesperados cálculos eleitorais.

Não importa o destino do Oriente Médio, do mundo, contanto que Serra possa ter alguma esperança de se eleger. Eleger um candidato que disse que o Mercosul é uma “farsa”, que o Brasil fez “uma trapalhada” em Honduras, que o ingresso da Venezuela no Mercosul era “uma insensatez”, que “não convidaria o primeiro ministro do Irã para vir ao Brasil, nem iria ao Irã”.

Dane-se a paz no mundo, contanto que a candidata de Lula não siga sua curva ascendente, que a faz superar a seu candidato na pesquisa do Vox Populi. Dane-se a paz no Oriente Médio, contanto que se possa consignar alguma “gafe” de Lula na viagem ao Irã. Dane-se o mundo, contanto que os interesses da direita brasileira sejam preservados.

Essa visão estreita, provinciana, se choca abertamente com a importância do acordo conseguido e com suas repercussões internacionais. Ainda mais porque contradiz o ceticismo do governo norteamericano – Hillary mencionou o tamanho da montanha que Lula teria que escalar para conseguir o acordo e dos porta-vozes da militarização dos conflitos em escala mundial. Onde outros fracassaram ou apostaram que nem valia a pena buscar negociações, o Brasil triunfou.

O Brasil soube buscar aliados – Rússia, China, Turquia, França – para abrir um espaço de negociação política, que se revelou possível e correto. A posição brasileira de que os EUA – e outras potências – possuindo imensos arsenais nucleares, não tinham moral para buscar acordos que limitem a disseminação de armamento nuclear, abre caminho para outras iniciativas de paz.

Em Israel e na Palestina, Lula deixou claro que os EUA não são o bom negociador para a paz na região, tanto porque são parte integrante do conflito, ao definir a Israel como seu aliado estratégico, como porque fracassou ao longo do tempo, sem que se tenha obtido a concretização do acordo da ONU de garantir a existência de um Estado palestino nas mesmas condições do Estado israelense.

Faltava que a candidatura de Lula fosse lançada ao Prêmio Nobel da Paz, para que uma imensa grita se estendesse por aqui, para que esse merecido reconhecimento internacional não projetasse de vez o Brasil como um novo sujeito em negociações de paz, projetando-nos como país que contribui efetivamente para sairmos de um mundo unipolar, sob hegemonia imperial de uma única super potência e para a criação de um mundo multipolar.

Devemos sentir-nos orgulhosos da diplomacia brasileira e da política internacional do Brasil, da atuação de Lula e de Celso Amorim. Devemos lutar ainda mais para consolidar essas diretrizes da política exterior brasileira e contribuir para que ela não apenas prossiga, mas se estenda e ajude ainda mais a construir um mundo em que os conflitos não sejam mais objeto de intervenções militares, mas de negociações políticas, pacíficas, que respeitem o direito de todos, especialmente dos que, até aqui, foram oprimidos pelas potências que concentram os maiores arsenais do mundo e pretendem perpetuar seu domínio sobre uma ordem mundial injusta.

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Brasileiros, mesmo longe de casa






Minha mãe foi criada rodeada de seis irmãos, no interior de Goiás, hoje estado de Tocantins. Naquela época não havia energia, nem televisão, mas o rádio era item indispensável para acompanhar as transformações da política brasileira e... do futebol. Sim. Rodeada por uma família onde homens estavam em maioria, minha mãe seguiu a tradição familiar e tomou gosto pelo futebol. Todos torcedores fanáticos do Botafogo por causa das façanhas de um Mané Garrincha, que tinha um pouco daquela família: ginga, sobrevivência e garra, muita garra. Em meados dos anos 50, o irmão mais velho de minha mãe, Hosterno Pereira, fundou o Botafogo de Porto Nacional, em homenagem ao time carioca, que nunca vira jogar ao vivo.

Já meu pai, nascido na fronteira com o Uruguai e criado nos pampas, se entendeu criança como gremista em uma família de torcedores do Internacional e brizolistas. Era do contra desde pequeno. Tão do contra que em vez de atacante, posição mais almejada em um time, tinha vocação para goleiro. Continuou assim, goleiro no futebol, e atacante na vida. A opção pelo time azul e branco lhe rendia piadas entre os irmãos, mas lhe dava orgulho a cada toque do hino gremista.

A paixão pelo futebol sempre foi coisa sagrada na família que os dois formaram. Assistir partida de lado de um ou de outro sempre exigiu silêncio. Acompanhar o sofrimento da minha mãe, que na hora H, sai da sala para não ver, é sempre uma penitência. Lembrar dos palavrões que saíam da boca do meu pai, um homem contido, é até engraçado.

Em 1974 e em 1978, meus pais assistiram a participação do futebol brasileiro na Copa bem longe de casa. Para se arranjarem no frio belga e não perder nenhum lance da seleção canarinho, em 74, se juntaram a outros dois casais de exilados e faziam visitas programadas ao apartamento de um casal de belgas, solidários à paixão dos brasileiros. Em 78, eles fizeram uma vaquinha entre brasileiros, chilenos e argentinos para alugar uma televisão, item que não fazia parte da realidade dos exilados destes Países. Ela foi colocada em uma casa de apoio aos latinos americanos, onde eles se revezavam para anotar os resultados das partidas. Os argentinos, em um primeiro momento, foram contra. Queriam se rebelar contra a pátria, que os havia banido, mas que foi campeã em 1978. Mas, depois de alguns diálogos, mesmo banidos, chegaram a conclusão que mantinham dentro de si a pátria, porque esta mora dentro do nosso peito, me ensinaria mais tarde minha mãe.

Assistiram a cada lance dos jogos entre gritos e afobações. No cardápio, muita feijoada, saudade e caipirinha da boa. As derrotas soaram amargas com um virtuoso Maradona fazendo arte com os pés. Que saudades de casa! Minha mãe dizia que ouvir o hino, fora da pátria, era momento de oração para cada brasileiro que se encontrava ali. O sonho: voltar para casa. O projeto: fazer a casa voltar a ser uma pátria democrática.



Nestes dias em que nos preparamos para mais um campeonato, discutimos com o gaúcho Dunga, conterrâneo do meu pai, a quem ele tinha extrema admiração. É a primeira Copa sem meu pai por aqui. Meu filho coleciona figurinhas em um álbum que escalou o time antes do técnico. Minha mãe checa os horários para não marcar nenhum médico no horário dos jogos e reclama da ausência dos meninos da Vila no time. Chego em casa e os dois me entregam uma bandeira brasileira.

- Para colocar no carro, mãe!

- Claro, filho!

Quando damos a primeira volta com a verde e amarela tremulando no vento das ruas, o Tomás diz:

- Mãe, você consegue sentir uma coisa diferente no seu peito?

- O que, filho?

- Um amor, mãe.

- Amor?

- Um amor por ser brasileiro.

Sim. Ele está aqui, na pátria e sabe que ela não é um espaço geográfico, é um sentimento cultivado dentro do peito.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Para todas

Então domingo é dia das mães... de todas elas, espero!




Dia das mães que trabalham, que acordam cedo, que chegam tarde, que viajam, que não estão aí no domingo.



Dia das mães que capricham na cozinha, que queimam a mão na beirada da panela, que nunca usaram um ferro, que fazem faxina na casa dos outros, que escondem bagunça no guarda-roupa.



Dia das mães que adormecem na fila do hospital, que andam de ônibus, que não encontraram vagas para os filhos na escola, que sobem de escada porque não têm elevador, que choram descontos na mensalidade.



Dia das mães que têm medo do parto, que nunca pariram, que choram escondido, que sonham com pezinhos fofos de bebês, que sempre trocam os nomes dos muitos filhos.



Dia das mães que fazem listas de nomes, que têm dúvidas sobre o futuro, que têm o saldo negativo no banco, que têm certeza de que vai dar certo, que se emocionam com cartões de escola.



Dia das mães que não têm tempo, que têm culpa de sobra, que correm para dar conta, que fazem monitoramento por telefone, que tentam entender sobre videogames, que desembaraçam cabelos de bonecas.



Dia das mães que se casaram, que se separaram, que são solteiras, que namoram, que se encontram escondido com alguém, que se sentem infinitamente sozinhas mesmo nunca estando solitárias, que são amadas em segredo, que nunca amaram ninguém.



Dia das mães que curtem cinema, que não têm televisão, que lêem livros na hora de dormir, que não sabem escrever seus nomes, que fazem teatro para os filhos entenderem um comando, que guardam nas gavetas desenhos rabiscados.



Dia das mães que amam seus filhos, os filhos alheios, os projetos de filhos, os sonhos...



* * *

Neste dia das mães, publico os dois novos vídeos da nova margarina... Dá para rir um bocado da novelinha tão vida real.



Lá em casa, neste momento, um menino de seis anos que têm muita certeza do futuro, às vezes também tem dúvida sobre o presente.



- Mãe, a S. é tão linda! Os cabelos, os olhos... Ela é perfeita. Quem bom que será minha esposa!



- Filho, como você pode saber se ela será sua esposa? A mamãe até hoje não sabe se vai casar e você já escolheu com quem.



- O que é que tem? Eu não tenho culpa se você não se decidiu. Eu já sei tem tempo.



Passados minutos da nossa conversa. Eis que surge o Tomás, aninhando se debaixo do meu braço para perguntar.



- Mãe, você tem certeza que me ama?



Esta é a maior certeza do mundo.



Feliz dia das mães!



segunda-feira, 3 de maio de 2010

Qual é o meu papel?

Final de domingo costuma ser uma canseira. Depois de muita diversão, a hora de ir para a cama e se preparar para uma nova semana não é muito tranquila. Lemos livro, revisamos os combinados e fazemos compromissos para o que nos espera na segunda-feira.


No caso deste domingo, o compromisso dizia respeito à televisão. Sim. A vilã ataca lá em casa e a ferro e fogo. O pequeno é um apaixonado da telinha azulada. Adora desenhos, mas tem se metido a assistir outras paradas e as outras paradas não são muito legais.

Programação teen às 9 horas da manhã. Ninguém merece! A essa hora, penso eu, os adolescentes estão na escola. E quem fica sujeito à gritaria e aos modismos da juventude são os pequenos que estudam à tarde.

A regra é não assistir a estes programas, mas eles estão misturados aos desenhos (muitos já seguem a tendência da voz alterada, dos namoricos, da ironiza exacerbada). O ideal seria assistir TV educativa, mas tenho que lidar com a realidade. Mesmo que assista ao educativo, o filhote sabe mexer em um controle remoto e quer mais do que lhe é oferecido em alguns horários da programação infantil.



- Mãe, isso é para neném! Não quer que eu assista, né?



Tudo bem. Super-heróis, monstros terríveis, revanches, alienígenas... Convivi com isso a minha infância toda e não me limitei. Então, é preciso conhecer de tudo um pouco. Queria muito que ele ficasse só com os ótimos As Aventuras de Piggley Winks, Backyardigans, Pinky Dinky Doo, Madeleine (lindo!), Peixonautas e Harry e o Balde dos Dinossauros. Mas não estão sempre disponíveis.



Então, cardápio diversificado, nas horas que ele tem na frente da telinha, mas sem programas com atores, mini-novelas. O “barraco” estava armado. O diálogo que segue só me faz ter certeza da decisão, mas me mostra que, a cada desafio, preciso de doses extras de paciência, de tolerância e de inteligência.

- Mãe, por que você quer escolher o que eu vou ver? Por que você não escolhe o que você vai ver?


- Filho, mas este é o meu papel. Meu papel de mãe. Mostrar para você certos caminhos, o que é certo, o que é errado.

- Quem te disse que este é o papel de mãe?

- É claro que é. Eu sou sua mãe. Tenho que te educar. Se não for este o meu papel, qual é?

- Ah, mãe... Educação eu tenho na escola e mãe serve mesmo é para colocar filho no mundo.

- O que?

- Ficar grávida, mãe. Este é o seu papel.

Papel vencido, porque já faz tempo que coloquei o bichinho no mundo. Mas preciso me atualizar e colocá-lo neste mundo muitas vezes, o tanto necessário para que ele chegue a algum lugar e compreenda certos limites. Depois da discussão e algumas lágrimas derramadas, o acordo foi estabelecido. Lá em casa nada de Quase Anjos ou Zoey 101.