segunda-feira, 23 de maio de 2011

O meu céu


Véspera de feriado em Goiânia. É segunda-feira. Faz frio para uma terra onde o calor sempre beira os 40 graus. Mas não é nada que obrigue a desabrigar muitas roupas do guarda roupa. O dia é comum, de trabalho apesar da enforca ser algo que beira o desejo. A enteada foi para a escola com os olhinhos miando por cama. O filho está à espera do pai com que irá passar o feriado. O namorado partiu para Brasília sem o chip do telefone e sem o que mais importa. E eu fico aqui pensando como será o 23 de maio de 2012, antes que o mundo acabe. Tenho tudo para achar que estarei assim, exatamente, emaranhada e confortada entre estes laços. Mas o tudo não é concreto, não se encaixa em calculadora, nem no calendário inventado pelos romanos. O tudo é uma percepção no peito, um clamante de amor e afinidade, que se construiu ao longo de 4 interruptos anos.


No 23 de maio de 2006, que antecedeu a minha história de vida atual, não me imaginava exatamente aqui. Não tinha blog, namorado ou enteada. Morava em outro canto e tinha outro emprego. Naquela época, eu imaginava que seria bom ter um namorado para de vez em quando, mas não para todo dia. Alguém que também tivesse filhos porque minha dedicação ao Tomás me dizia que seria impossível compartilhar, viver junto, dividir. Alguém que me desse folga de quando em vez para viver a exclusividade que a maternidade me exigia. E a maternidade me parecia ser o presente e o futuro, o todo.

Se voltasse mais atrás, 10 anos antes, em 1996, quando estava ainda na faculdade, minha imagem de futuro era o trabalho e o que ele poderia fazer por mim. Eu estava começando e radiante achava que esta liberdade era o que há de maior nesta vida. O poder ir e vir, o saber antes dos outros (que é o que os jornalistas fazem), a escolha de novos amigos, os relacionamentos vagos e sem amor e a sensação de ser dona do meu nariz me confirmavam uma falsa e embalsamada certeza de completo, que ainda hoje não existe.

E antes disso? Antes disso, fui criança e me esbarrei muitas vezes no meu mundo interno, pensando mais no passado do que no futuro, pensando de onde tinha vindo e porque tinha vindo. Se imaginava o futuro, era longe, muito longe daqui. Para mim, a paz e a certeza se dariam em lugar diferente, onde as pessoas seriam outras e não as que tenho desde sempre perto de mim. Mas logo que o pensamento sumia, eu me entretinha com os livros e viajava nas músicas da minha época. Eu gostava de dançar e de sonhar com olhos abertos. E, nos meus sonhos, o futuro era sempre feliz. Como sou agora, distante um ano do futuro próximo, mas certa de que o meu céu está aqui, nos dias em que vivo ao lado dos que amo e construindo a completude de uma família forjada em cantos e anos diferentes para ser única em seu propósito.


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Em tempo, show do Pato Fú em Goiânia hoje (23.05). Motivo a mais para ouvir de novo a doce voz de Fernanda Takai.

4 comentários:

  1. em 23 de maio de 2010 eu quero estar mais feliz que estou hj.
    quero estar mais magra.
    quero estar cada vez menos apegada à coisas materiais (do mundo capitalista que nos engole à cada dia).
    quero estar bem. só isso. nada mais.
    nada é melhor do que estar bem, com saúde e cercada de gente amada.

    bj em vc e no Tomás

    ótima semana pra vcs!

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  2. Alê, vc quer voltar ao passado, né...acho difícil...rsrs

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  3. Amor, li o post com lágrimas nos olhos.
    Lágrimas de saudade, de amor e de esperança de que em breve você possa postar minha presença, nossos beijos, nossos abraços, nosso ninho, nossas proles, e tantos momentos juntos, gozando da paz e da felicidade de compartilharmos com quem tanto amamos.
    Sou louco por você!

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  4. Seus textos emocionam, Lu. Porque são plenos de tudo o que você vive intensamente.
    Os dias, os meses, os anos de nossas vidas passam e nos provam, comprovam o que construímos e cuidamos. Acredito nisso.
    Quero você feliz.

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