segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Ele está no meio de nós...



- Mãe, às vezes eu penso que a vida é um jogo.

- Por que, filho?

- Porque me sinto como nas partidas de xadrez da escola, só que sem segunda chance.

- É... Se explique direito.

- O mundo é o tabuleiro e as peças, somos nós.

- E quem joga?

- Acho que Deus...

- Mesmo? E ele está fazendo um bom jogo?

- Está tentando, mas não é fácil.



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- Qual o nome deste Oriente onde estão acontecendo tantas guerras?

- Oriente Médio, filho. É lá que estão acontecendo algumas situações tensas.

- Por que?

- Disputa de poder. As pessoas querem mais e mais poder.

- Hummm...

- Tava pensando, cada País tem um rei ou um presidente, mas às vezes eles fazem uma coisa errada, não é?

- Sim. Muitas vezes, filho.

- Então devia ter um rei do mundo.

- E quem seria tão bom para esta tarefa?

- Isso, só Deus que sabe, mãe.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Você e eu...

Para você que alegra meus dias e aquece minhas noites,


Que conversa com minha alma, que me vê por trás do sorriso, que me traz dentro do coração,

Que me desvenda segredos, que me encanta com sonhos, que chora comigo,

Que me ouve atento, que me empresa o peito, que me mostra outro mundo,

Um dia feliz... na lembrança de que o melhor sempre vai conosco onde quer que a gente esteja.


“... eu sou mais você... e eu!”

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

17 de fevereiro

Querido, já foram muitas noites sonhando com você, neste último mês. Nestes encontros praticamente diários, fizemos de tudo um pouco: conversamos, olhamos, choramos, abraçamos e sorrimos. Nada na quantia suficiente, no necessário para aplacar saudade de tanto tempo.

Em um destes encontros, talvez o mais real, você entrou aqui em casa enquanto eu dormia. Eu me dei conta da porta aberta e assustada fui ao quarto do Tomás, onde você velava o sono do meu menino e me dizia: “Tenha calma, sou eu. Estou aqui”.

O sonho foi em uma noite depois de tristeza diurna pelas coisas que nem sempre se resolvem como gostaríamos. E o colo me fez falta... Pai, eu queria mesmo é que você estivesse aqui!

São três anos. É um Tomás com sete anos. Uma irmã que se casou. Uma mãe cada dia mais solitária. Um novo trabalho. Uma nova possibilidade de vida. Amigos que se foram e amigos que chegaram.

É uma pequena vida, pai, que você não viu florir.

Mas mesmo assim, eu também estou aqui.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Máquina do tempo



Quem passou pela década de 80 com menos de 15 anos, assistiu repetidas vezes à sessão da tarde com o clássico De volta para o futuro, lançado em 1985. Enquanto o ainda jovem Michael J. Fox se enfiava na máquina do tempo e voltava para a década de 50, antes que os seus pais se conhecessem.

Tomás, que não era nem pensamento quando eu assistia a este filme, me perguntou no sábado para onde eu gostaria de ir se pudesse voltar no tempo. É algo que contorce crianças e adultos e imaginar que seja possível é, realmente, uma delícia. Antes, me explicou que queria elucidar alguns mistérios do seu passado e que acionaria a máquina direto para o dia do seu nascimento, para o seu aniversário de 5 anos, para o primeiro dia de aula e para o seu primeiro encontro com a Carol, minha enteada.

Eu, que já contei como foi cada um destes dias da sua vida, não sirvo de fonte. “Deve ter esquecido algo, mãe. Não foi exatamente assim”. Eu, que na vida escolhi contar histórias, me resigno a embarcar também na máquina do tempo e ver o que eu perdi.

Eu também iria lá no dia em que ele nasceu para ver por outro ângulo o que deitada não pude ver, visitaria meu próprio nascimento para captar os sorrisos registrados em fotos com os ouvidos, me veria pequena no desembarque no Brasil, sentaria novamente na mesa farta de Natal na casa de minha avó Talita, conheceria novamente Belo Horizonte, repetiria a primeira volta de bicicleta, passaria meu aniversário novamente imersa em águas e captaria de novo o som de ser amada.

No final de semana, dividi a brincadeira com quem estava por perto. Meu namorado, que também era fã do filme, voltaria ao passeio no Ita acompanhado do pai e do irmão, ao Natal de quando tinha 10 anos em Barretos e ao nascimento da filha. Já a Carol queria voltar só a cenas engraçadas e que pudessem fazê-la rir novamente como devem rir todas as meninas da sua idade. Arthur, meu sobrinho torto, queria voltar a um tempo onde não houvesse escolas ou banheiros... Mas esta, concordamos, é uma viagem bem mais longa...

Melhor é poder voltar onde pode ir nosso pensamento...

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

O beijo



Seguidor ávido de Harry Potter, Tomás é capaz de assistir de trás para frente a coleção com seis volumes do bruxinho inglês, que ele completou no seu último aniversário. Para ele, é quase certeza que em algum lugar da Inglaterra existe uma escola de bruxos e é lá que ele gostaria de estudar. Então, nos últimos dias, as nossas conversas acabam sempre versando sobre o filme e daí o rendimento acaba sendo mágico.

- Mãe, o Harry Potter é conhecido em todos os países do mundo?


- Provavelmente, não. Porque alguns países têm sérias proibições quando o assunto é magia, guerra e até beijo.

- Como assim beijo, mãe?

- Tem lugares onde um homem e uma mulher não podem se beijar antes do casamento, filho, então o filme acaba sendo proibido por isso.

- Se no Brasil fosse assim, eu ia ter que me casar com muitas!

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Saudade

(...)

Não há dom para resolver.

(...)

Não se faz lúcida.

(...)

Não desaparece no sono.

(...)

Não se empacota para viagem.

(...)

Não usa tiara de flores.

(...)

Não é aguda.

(...)

Não cheira a leite com chocolate.

(...)

Não marca segunda no calendário.

(...)

Não anda de salto.

(...)

Não economiza.



Minha saudade é assim: irresoluta, aberta, crônica, desequilibrada e sem folgas.