segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Máquina do tempo



Quem passou pela década de 80 com menos de 15 anos, assistiu repetidas vezes à sessão da tarde com o clássico De volta para o futuro, lançado em 1985. Enquanto o ainda jovem Michael J. Fox se enfiava na máquina do tempo e voltava para a década de 50, antes que os seus pais se conhecessem.

Tomás, que não era nem pensamento quando eu assistia a este filme, me perguntou no sábado para onde eu gostaria de ir se pudesse voltar no tempo. É algo que contorce crianças e adultos e imaginar que seja possível é, realmente, uma delícia. Antes, me explicou que queria elucidar alguns mistérios do seu passado e que acionaria a máquina direto para o dia do seu nascimento, para o seu aniversário de 5 anos, para o primeiro dia de aula e para o seu primeiro encontro com a Carol, minha enteada.

Eu, que já contei como foi cada um destes dias da sua vida, não sirvo de fonte. “Deve ter esquecido algo, mãe. Não foi exatamente assim”. Eu, que na vida escolhi contar histórias, me resigno a embarcar também na máquina do tempo e ver o que eu perdi.

Eu também iria lá no dia em que ele nasceu para ver por outro ângulo o que deitada não pude ver, visitaria meu próprio nascimento para captar os sorrisos registrados em fotos com os ouvidos, me veria pequena no desembarque no Brasil, sentaria novamente na mesa farta de Natal na casa de minha avó Talita, conheceria novamente Belo Horizonte, repetiria a primeira volta de bicicleta, passaria meu aniversário novamente imersa em águas e captaria de novo o som de ser amada.

No final de semana, dividi a brincadeira com quem estava por perto. Meu namorado, que também era fã do filme, voltaria ao passeio no Ita acompanhado do pai e do irmão, ao Natal de quando tinha 10 anos em Barretos e ao nascimento da filha. Já a Carol queria voltar só a cenas engraçadas e que pudessem fazê-la rir novamente como devem rir todas as meninas da sua idade. Arthur, meu sobrinho torto, queria voltar a um tempo onde não houvesse escolas ou banheiros... Mas esta, concordamos, é uma viagem bem mais longa...

Melhor é poder voltar onde pode ir nosso pensamento...

2 comentários:

  1. rs. Amor, gostaria de voltar no tempo que te conheci. Assim poderia escolher me apaixonar outras tantas vezes.

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  2. Arthur, meu filho, querendo viver num mundo sem escolas ou banheiros... ai, ai...

    Eu queria voltar nos oito anos que vivi e que antecederam a morte do meu pai. Para que eu pudesse viver tudo de novo, mesmo que sabendo do fim...

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