segunda-feira, 28 de junho de 2010

Saudade

Domingo quase normal, não fosse pela ausência das crianças em uma agenda de compromissos de adulto: um casamento e um show. Foi, digamos assim, um dia de folga para eu e namorado, que nos permitimos ser apenas namorados. Mas também foi quase normal, porque aqui dentro algumas conexões do ouvido e da boca mexeram comigo, com sentimentos guardadinhos que resolveram desembarcar no final da noite em formato de gordas lágrimas. A saudade vem e volta por aqui. Tem dias que é normal, apenas fato, como é fato que trabalho das 9 às 18 horas. Tem dias que é dolorida, arde no meio do dia e faz um grande estrago em pedaços da minha noite.

Ontem não foi de estragos, nem de fato. Senti saudades de uma forma tão melancólica, que fiquei carregada dela, como um navio pronto para desembarcar em algum porto e fazer entrega de amor atrasado. O primeiro sinal apareceu assim. Meu namorado tentou lembrar o nome de alguém, na festa do casamento, e o nome não veio. Daí, eu me lembrei que meu pai, quando encontrava um conhecido e tinha uma falha na memória, usava como recurso chamar a pessoa de “professor ou professora”. Era um sinal de respeito, para ele, afinal o cargo tinha um grande valor. Contei a historinha, rimos juntos e seguimos festa adiante.

Na festa, tinha samba e tinha Paulinho da Viola, um dos favoritos do meu pai. O coração ficou quentinho e quietinho ao ouvir. Meu pai gostaria de ter ido a uma festa assim, com samba, sem formalidade, com risos fartos e com muito “se sinta à vontade”. Já em outra música, a banda convocou os convidados a dançar. Um senhor sentado na mesa ao lado disse: “Se for o Paulinho da Viola e se você me emprestar uma caixinha de fósforo, eu vou”. Meu pai também iria. Ele batucava uma caixinha como ninguém. Fechei os olhos e ouvi o som, o som da minha infância. A caixinha Fiat Lux roxinha tamborilando nos dedos escuros do meu pai. Na boca, um riso contido.

O samba continuou, eu bebi mais do que devia e fui resolver meus problemas de glicose com os doces da mesa. A noiva fez uma belíssima escolha de servir doces típicos. E eu escolhi os meus favoritos: doce de leite e figo cristalizado, este último da lista do meu pai. Na hora que mordi, o desejo de dividi-lo ao meio foi grande. Ofereci duas vezes ao namorado, que recusou. Eu queria mesmo era dividi-lo. Dar um pedacinho ao meu pai, que amava doces como eu. Na época do figo, eles enfeitavam nossa geladeira e com ele já doente, encomendávamos figada e quindim para adoçar seus dias.

Fomos embora para um soninho que cura tudo e partimos para o show de Maria Gadu, que encerraria nosso domingo sem filhos. Ouvi atenta a apresentação belíssima da cantora, encostada em ombro quente, quando ela cantou: “Se queres partir ir embora. Me olha da onde estiver. Que eu vou te mostrar que eu to pronta. Me colha madura do pé. (...)O apego não quer ir embora. Diaxo, ele tem que querer.”

Já tem dois anos e quatro meses que meu pai foi embora, mas o apego, não. Em cada canto, em cada lugar, imagino como seria se ele estivesse aqui. Para você que sabe do que estou falando, de um desejo secreto de inverter a ordem do mundo, divido a música de Gadú, Dona Cila, que mexeu comigo em uma noite de domingo molhada de lágrimas.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Um bom competidor



Como garantir que, aos 6 anos, seu filho irá entender quais são as regras que podem mantê-lo íntegro diante da prática esportiva? Esta foi a pergunta dos últimos dias lá em casa.

Campeonato mundial de futebol na televisão das 8h30 às 17h15, quando acaba o último jogo. Jogos internos de segunda à sexta na escola, onde ele deve comparecer com sua camiseta roxa e um espírito para lá de esportivo. Campeonato familiar em frente ao play station, em seus primeiros passos, no comando de um videogame.

Em frente à televisão estão ruidosos torcedores, que tomam partido dos times que lhe convêm no sentido de ver um Brasil hexacampeão. O acúmulo de 6 títulos para o mesmo País não parece nada injusto diante de uma trajetória tão brilhante no futebol. Os comentaristas, vez ou outra, incitam a competição e mostram para qual o partido os torcedores devem se aliar. Ai de quem em terras brasileiras torcer para o futebol argentino. O técnico do nosso time é execrado por muitos com palavrões nada elegantes e usa dos mesmos para se defender.

Na escola, as filas de alunos na hora do hino vestem camisetas de cores diferentes, a entrega da medalha em um sábado anunciado é motivo de grande expectativa, na ponta da língua alunos maiores e menores guardam jingles sobre suas potências esportivas e dentro da mochila um manual esquecido fala de boas regras durante os jogos internos.

Então, naquele clima aguerrido de competição, ele me diz:

- Mãe, se alguém do outro time ficar me zoando, daí eu posso zoar dele, né?

- Filho, não pense assim. Você precisa participar respeitando o seu adversário.

- Mas e se ele não me respeitar, se ele me chamar de perdedor?

- Você deve sempre mostrar para ele que o respeito é importante, que vocês estão competindo em um amistoso e que todos são importantes.

- Mãe, importantes são aqueles que vão ganhar e se eu não ganhar...

O festival de “e se” continuou até que resolvi pegar o manual interno dos jogos. Leio as regras pausadamente até que chego a esta pérola. “Ninguém é perdedor antes dos jogos começarem”.

- Tá vendo, mãe? Depois que os jogos começarem, alguém vai chamar alguém de perdedor? Nessa hora, eu posso, né?

Espírito coletivo, respeito, solidariedade, harmonia e admiração são valores ligados aos esportes, mas bem menores do que o sabor da vitória. Lidar com isso em um mundo tão competitivo é um desafio para pais, educadores e filhos. Queremos ganhar, mas a que preço?

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Para ser um bom namorado

Dia desses, sentados em volta da mesa, conversávamos sobre a vida, as relações, o tempo, o cardápio... As crianças em polvorosa usavam o direito à palavra mais que o habitual. Era uma noite de sábado e a tranquilidade de termos o tempo todo juntos fazia com que isso fosse muito bom.

Não sei como chegamos ao assunto, mas ele foi muito deliciado. Tomás decidiu ditar as regras para ser um bom namorado. Com auxílio da Carol, minha enteada de 10 anos, ele postou regras, algumas muito justas, outras muito engraçadas, mas todas, sem exceção, muito pertinentes para quem quer agradar muito.



1 – Deixe-a fazer o que quiser, mas é o que ela quiser mesmo, disse o pequeno com ênfase encarando o meu par estupefato (aprovado com palminhas!);

2 – Nunca fale demais, senão encanta tanto que até enjoa (faz todo o sentido para ambas as partes);

3 – Jamais encontre sua namorada sem tomar banho. Namoradas gostam de namorados cheirosos (alguém discorda?).



Estas foram as três primeiras e as mais marcantes, que mostraram o poder de observação de duas crianças. Depois eles seguiram desfiando um rosário de boas maneiras e gentilezas que encantariam qualquer mulher. Flores, datas importantes, jantares românticos, viagens com toda a família (acham que eles são bobinhos?) e muito mais...



Regras que garantem com certeza um bom título para qualquer namorado. Mas se o sujeito tiver dificuldade em aprender coisas tão simples, eu estou pensando em montar um curso com meus pequenos instrutores. E, nele, vou acrescentar apenas uma regra. Para o amor, não pode haver excessos de fala, de brigas, de desencontros. Mas pode ter excesso sempre de carinho.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Acreditar





Acreditar: dar crédito a, crer, ter como verdadeiro, aceitar.



Na minha criação, sempre foi forte a dúvida. Meu pai, dia domingo, em frente à televisão, duvidava dos sorteios realizados na televisão. Dizia sempre:

- É marmelada! Tudo enganação.

Eu me limitava a não sonhar com prêmios instantâneos para solucionar problemas reais.

Minha mãe, na sua experiência de muitos anos de vida, sempre duvidou de verdades construídas no caminho da escola para casa, na justificativa de uma falta ou de uma nota não tão bonita.

- Minha filha, eu te conheço só de olhar!

E eu não era crível, nestes momentos. Então, desmoronava tudo aquilo que eu podia acreditar.


Foi assim que ganhei uma boa dose de descrédito. Passei, no geral, a não acreditar. Antes de formar uma certeza, vinha a dúvida. Será que é isso mesmo? Será que vai dar certo?

Ao descrédito, se somou uma dose boa de pessimismo, talvez advinda da minha conjunção astral: peixes com ascendente em sagitário, talvez fruto de uns tropeços fortes que me fizeram rolar no chão, talvez porque eu precise lidar com o concreto para não ceder às minhas fantasias.

Foi daí que criei o hábito de, diante do sorriso sincero de alguém, semear uma dúvidazinha, às vezes tão sincera, mas sentida de forma tão cruel por quem a escuta.

- Será que isso vai dar certo? Melhor você ficar atento para não se iludir.

Quando vejo, eu já disse. Já pensei em todas as coisas horríveis que a pessoa pode passar por acreditar demais. E se ela perder algo, alguém, chorar, sofrer, morrer por uma ilusão.

Na minha cabeça, lá vem o Chico Buarque, cantando:

- Ilusão, ilusão, veja as coisas como elas são.

O pobre ao lado vê seu sonho dourado, cultivado em noites de muita fé, descolorindo diante da minha descrença. E, nesta hora, me sinto um vírus devastador, que não escolhe suas vítimas, e corrói a esperança alheia no meio de uma conversa.

Acho que fiz isso tantas vezes que me cerquei de descrença ou talvez, aqueles que estão ao meu lado, desistiram de declarar suas crenças, seus sonhos, suas certezas. E eu fui me sentindo vazia... Vazia de não acreditar no dia seguinte.

De uns tempos para cá, diante da falta de fé geral ao meu lado, estou sentindo falta de acreditar. Tento, diariamente, não acionar este botão vermelho, item de fabricação familiar, e acompanhar sonhos alheios sem tanto questionar.

Tento encontrar em mim um pinguinho da certeza de uma menina de 8 anos, que queria ser dançarina, e não via problema em não ter nenhum ritmo ou talento para tanto. Tento encontrar em mim a mulher, que ao se deparar com uma gravidez inesperada, tinha certeza que tudo daria certo, mesmo que isso fosse improvável. Porque sem sonhos, sem certezas, sem fé, não dá para seguir. E, nestes dois momentos, acreditar no impossível tornou a realidade menos dura e eu segui. Agora, preciso de novo seguir.

Se um dia eu te perguntei “será” e plantei uma dúvida nos seus sentimentos, me desculpe, sinceramente. Perdoe a minha descrença e se puder, divida comigo novamente o seu acreditar, porque é com ele que a vida brilha e é com ele que vamos chegar.

Vou mudar de trilha:


Agora, para mim, a menina dança...



quarta-feira, 9 de junho de 2010

Para amar depois dos 30


Estou certa que amar depois dos 30 é diferente de amar aos 20. Exige mais, bem mais, dos amantes, do que a naturalidade do primeiro amor. Exige cálculos nada matemáticos, mas que somam, dividem, diminuem e multiplicam em um tempo da vida que o caminho trilhado quase deixa o vagão estacionado. O amor iniciado a partir dos 30 exige coragem para deixar as noites bem ou mal dormidas, mas todas conhecidas, para se arriscar nas noites ao lado de alguém.


Começar um amor aos 30 significa, sobretudo, reaprender aquilo que a vida, por algum motivo, deixou de nos re-ensinar: a tolerância. Não estou aqui dizendo que depois de viver 29 anos, a pessoa se torna intolerante. Mas, pelo que conheço, a tolerância se torna bem mais limitada. E quando se está sozinho, há algum tempo, ou quando já se viveu decepções demais, o coração fica menos mole ou talvez mais precavido e resolve criar certas regras: “isso não”, “aquilo de jeito nenhum”, “nunca com isso”. E às vezes no anseio de proclamar a nossa maturidade, a gente confunde “seletivo” com “intolerante”.


Sim, sim. Com 30, temos mais capacidade para escolher e não ser escolhido. Já sabemos mais sobre nós mesmos, mesmo que este saber nunca seja o suficiente. Com 20, a gente tem que contar com sorte e ouvir mais os palpites de um coração apaixonado do que a sabedoria de ser jovem. Mas não podemos deixar que as histórias vividas, o amargo de uma, o saudosismo de outra, não deixe a gente arriscar, tolerar algo nunca imaginado, abrir mão de um certo comodismo de uma vida sem sobressaltos.


Aceitar algo novo significa entrega e pode ser um presente em uma idade em que a gente tende a confiar mais no próprio taco, em que sabemos o que nos faz feliz, em que não temos tempo para pequenas picuinhas, em que a mentira não nos pega como antes. Mas não é fácil... Nunca é. Você está lá, há 2, 4, 7 anos sozinho, vivendo relações furtivas e divertidas, mas sem compromisso. Decide aonde vai, com quem, como vai. Decide também não ir. Decide ficar feio. Decide escandalizar. E isso só diz respeito a você e ninguém mais. É uma liberdade que, com 30, muitas vezes não causa anseios românticos. Muitas das balzaquianas que conheço aprenderam a se bastar de tal forma que abrir uma porta para alguém entrar é um grande esforço.


Muitas delas dizem que querem, que estão disponíveis, mas na hora H, pinta uma dúvida tremenda, um receio de sofrer, uma preguiça de tentar de novo. E de preguiça, eu entendo muito. Quase encerrei carreira, porque amor dá muito trabalho. Então nos fechamos por ali mesmo, brincamos com paixões passageiras e nos esquecemos do melhor sentimento do mundo. (Até porque é possível ser feliz sozinho).


Se isso acontece com você, não desista. Amar e ser amado vale muito a pena. Dias atrás, sem pensar na vida, recebi uma chacoalhada do meu pequeno herdeiro. Vínhamos da escola e ele me contava emocionado sobre o beijo que recebera de S. Na bochecha, of course. E eu fiz pouco caso, quando ele me perguntou:

- Mãe, você já beijou o amor da sua vida? Sim, porque eu já beijei e isto é a coisa mais maravilhosa do mundo.


Meu filho tem 6 anos e sabe que isso vale qualquer aborrecimento, desgosto, preocupação, desilusão. Na semana do dia dos namorados, receito a recomendação de Tomás, o sábio de menos de dez anos: “não deixe de beijar o amor da sua vida”. Aos 20, aos 30, aos 40...


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Aos que começaram aos 20 e não pararam mais, quero dizer da minha profunda admiração por quem beija o amor da sua vida desde muito tempo atrás. São mesmo graduados no amor. Estar com uma pessoa por mais de 10 anos é tarefa árdua e que requer mais do que tolerância. Requer criatividade, paciência, silêncio e muita gargalhada. Reinventar um amor é mais difícil do que encontrá-lo. Eu peço que me esperem. Estou no começo da viagem, mas chego lá.



Com carinho,


Luisa

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Lista de desejos


Se eu achasse uma lâmpada mágica esta semana, ia ser modesta para não assustar. Ia pedir pouco bem pouco, porque de muito, já estou cansada. Só o necessário para chegar até a próxima semana. E assim ia ser feliz agora, porque depois, nunca sabemos mesmo:



- Achar três figurinhas do álbum da Copa para deixar alguém feliz;

- Dividir uma garrafa de vinho em boa companhia;

- Escutar música para lembrar e não esquecer;

- Surpreender cedo, muito cedo;

- Encontrar na livraria aquele livro, há tempos desejado;

- Acordar tarde só um dia;

- Encontrar a máquina fotográfica perdida;

- Fotografar o caipira mais charmoso que conheço;

- Fazer a receita certa;

- Ouvir de uma amiga notícia de alívio;

- Rir alto no cinema;

- Multiplicar horas no relógio dos meus sentimentos;

- Perdoar mágoa recente;

- Ouvir “segredos de liquidificador”;

- Ser surpreendida.

Só isso me basta. Eu juro.

terça-feira, 1 de junho de 2010

Por eles, somos responsáveis

Se tem algo no mundo pelo qual somos responsáveis é o amor de uma criança. Deveria ser lei, mas não é. Deveria ser de praxe, mas não é. Deveria ser natural, mas... Peraí! Não natural é não retribuir o amor de pequenos seres humanos. Até os bichos compreendem isso e não coisa de filminho da Disney.


Me dói pensar em qualquer tipo de indiferença ao sentimento de uma pessoa com menos de 12 anos. Os com mais de 12 anos já tem um pouco de couro e dão conta de se defender. Me solidarizo com eles, mas sei que a maioria dá conta do recado.

Agora não acho justo, nem plausível, explicar para uma criança que quem deveria amá-la, protegê-la, admirá-la, não está nem aí. Mas, muitas vezes, me deparei com esta situação. Muitas vezes ouvi esta história, muitas vezes fiz parte desta história.

Não estou aqui falando daqueles momentos em que os filhos, se sentindo injustiçados, pensam que não são amados pelos seus pais. Não estou aqui falando daqueles momentos de discordância, que aos 10 anos parecem o final do mundo, e nos deixam arrasados e nos sentindo péssimos.

Estou falando de um telefone que não toca, de um email que não se responde, de um encontro que não acontece, de um pedido que não é aceito, de um amor que não é respeitado. Estou falando de uma criança pequena, com olhos marejados, com coração partido, com sonhos desfeitos. Estou falando deste mundo, que abriga pessoas cruéis, que convive com injustiças, que traduz incoerências mil.

Nós, pessoas crescidas, estamos prontas para a defesa quando somos atacadas. Sofremos, amargamos, gritamos, mas resolvemos de qualquer jeito. Mas uma criança com poucos anos de vida não sabe o que fazer e normalmente se encolhe diante da crueldade do adulto.

Estou falando de pais e mães, que não vivem mais ou nunca viveram com os seus filhos, mas que são eternamente responsáveis por eles, mas lhe negam o básico: o afeto e o respeito. A situação hipotética remete aos pais que estão fora de casa, mas é fato que isso ocorra também com quem vive junto. Muitos deles, para negociar com suas próprias consciências, fazem cena e acreditam mesmo que os seus filhos não compreendam. Crianças não são burras. Nunca subestimem a inteligência delas. Para cada passo que a gente dá, uma interpretação é feita. Muitas vezes, com seus olhos de lince, elas vêem mais que a gente.

O monólogo que se segue me surpreendeu em uma manhã cinza.

- Eu sei bem mais do que você imagina. Eu conheço as pessoas. E eu sei quando elas gostam ou não de mim. Você está me ouvindo, mãe?


- Ahan.


- Mãe, sabia que tem gente que ama uma pessoa e não ama a outra? Sabia que eu não acho isso certo? Na verdade, mãe, eu acho isso bem chato, bem feio.

Não tenho consolo em legislações que teoricamente dão conta deste problema. Ele é maior que a lei.