segunda-feira, 13 de junho de 2011

Tolerância, compreensão e geografia


Tolerância e compreensão são desafios diários para pais e filhos, mas também para amigos, irmãos, namorados e todas as outras classificações de relações humanas. Mas na maternidade é preciso viver e ensinar estes dois valores, o que complica um bocado, quando a prática é diferente do discurso. Então, é preciso sempre ajustar o caminho para achar o tom certo e, sim, exemplos fazem toda a diferença.

Tomás e a enteada Carol, em determinados finais de semana, têm sintonia total. Em outros, impera a diferença de gênero e de idade e a “murrinha” é grande para definir se vão assistir um DVD, jogar no Playstation, brincar com os bonecos ou fazer nada. Nestes dias, eles querem sempre o contrário do outro.

Eis que enteada escreve no nosso quadro negro. “É preciso compreender o outro”. Sinal de alerta ligado e pergunto. “Para quem é este recado?”. Aí ela desfiou o rosário porque o Tomás, depois de um dia inteiro de visita em outro videogame, chegou em casa e queria jogar de novo.

Quando ela se foi, encostei o pequeno no canto para perguntar o porquê de tanta discórdia e ele me saiu com essa:

- Mãe, se até você e o Rogério (o noivo – o que renderá outro post) brigam, por que eu e ela não podemos brigar?

A briga em questão foi uma discussão banal sobre como chegar ao endereço da casa de uma amiga, na manhã do mesmo dia.

- Filho, a gente não brigou porque era uma tolice. Só expressamos nossos sentimentos e resolvemos na hora.

- Tá certo, mãe. Videogame é muito mais sério do que seus problemas com geografia. Na próxima, vou expressar meu sentimento também e pedir a Carol um pouco de compreensão.

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Quantas vezes se enamora?



“Fico só pensando em você

E juro

Que vou te tirar pra dançar

Um dia

Mas uma canção é tão pouco

Nem cabe

Tudo que eu quero falar”



Se vive muitos anos, mas só uma infância, só uma adolescência, só uma primeira vez. Às vezes bate um saudosismo, uma vontade de sentir de novo aquele ineditismo do primeiro amor. Mas o fato é que o desejo passa quando o coração tropeça e se enlaça em um novo amor.

Então se repetem os frios na barriga, o coração disparado, a certeza de que desta vez é para sempre, o sorriso de boba, o sonhar acordada. Sim, se enamora muitas e muitas vezes enquanto estamos vivos. E é bom sentir tudo de novo, a sensação de que o mundo será findo se ele não te tirar para dançar, o desejo inquietante de falar várias vezes no dia, o arrepio depois do beijo, o choro depois da primeira, da segunda, da última briga. E mesmo que depois se vá sofrer, não existe viver sem se enamorar. É preciso correr o risco, apostar alto, investir e se jogar.

E, com as bênçãos do céus, ainda podemos nos enamorar muitas vezes pela mesma pessoa e sentir por ela a urgência de um amor que não vence, que se prorroga no último momento, no encantamento de quem se conhece e sabe o que quer.

Nesta véspera do dia dos namorados, quando o comércio promete romance em forma de embalagem, eu quero de presente a certeza de que vou ser tirada para dançar hoje, amanhã e depois. E que mesmo se pisar no pé, escolher o figurino errado, perder o compasso, ainda serei o tesouro de quem me enamora.

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Escolhi como foto do post a inesquecível dança de Al Pacino em Perfume de Mulher. Como diz ele: “Mas em um momento se vive uma vida!".


quinta-feira, 2 de junho de 2011

O desafio de ser mãe



Todos os dias, nós que somos mães acordamos para o desafio de educar os nossos filhos para o mundo, para serem pessoas fortes e valentes, para não se curvarem diante da crueldade, para se protegerem de toda a injustiça, para se fazerem perspicazes e sóbrios diante da dúvida, para se dobrarem a força de Deus e para sempre erguerem os olhos rumo ao futuro. Deste desafio, nós não tiramos férias, folga ou feriado.

Não existe tempo nublado, dor de barriga, tristeza profunda ou cansaço que nos tirem desta obrigação. Ela nasce junto com o filho, se abriga na mala na maternidade e corre o mundo conosco onde quer que estejamos, onde quer que eles estejam. E todos os dias a gente tenta, acerta e erra em proporções nem sempre justas, mas em dicionário de mãe não existe a palavra desistir. Existem persistência e amor na mesma proporção do medo e da insegurança.

E a cada dia o desafio imposto toma outras formas, ganha novos contornos e sempre exige da mãe a capacidade de se adaptar, se forjar inteira diante de dores maiores, se fazer sábia diante das perguntas sem respostas, se fazer aprendiz diante do crescer do filho. Não se é mãe apenas uma vez. Não se constrói este papel no tempo inexato da chegada do filho. Ele é feito de dia-a-dia, de toque, de palavra, de amor, de olhar, de vida.

No desafio de ser boa mãe, aprendemos que a maternidade não se dá somente na relação com o filho. Que ela se expressa na confidência entre amigas, na cobrança de uma professora, no carinho pelo amigo de um filho, na forma como passamos a ser filhas redescobrindo a própria mãe e principalmente na relação com o pai da criança. Muitas vezes não somos mães juntas aos pais.

Mas mesmo a inexistência desta cumplicidade nos molda mães. Nos dá deveres e obrigações duplicadas, nos tira sossego, mas nos oferece liberdade de alto preço, escolhemos e decidimos a revelia do outro. Mas isso reforça em nós a responsabilidade diante deste novo homem e desta nova mulher que se forma sob o nosso olhar.

Quando somos mães sozinhas temos que investir em outros laços, construir novas pontes para o futuro, apalpar o escuro do mundo para não deixar o rebento cair. Não que seja muito diferente para quem esteja acompanhada na missão. Se vive a dúvida, o medo, a angústia junto, mas se partilha o amor, a alegria e o sucesso também.

Não é fácil não ter mão ao lado, mas é possível, porque para ser mãe não precisamos do útero ou do parceiro, mas de coração imenso e corajoso onde se abrigará a prole em qualquer idade, em qualquer circunstância, para cobri-la e acobertá-la do frio do mundo.