quarta-feira, 20 de julho de 2011

Na bagagem


O que se aprende com uma viagem? A geografia e a culinária do lugar? Um novo sotaque, uma nova língua, um novo jeito de andar? Eu aprendi mais que isso na última viagem, porque desta vez, não foi eu quem viajou, foram os pequenos. Explico: depois de uma semana de férias comigo em Natal (RN), onde aprendeu a pegar altas ondas e a se divertir sozinho, Tomás foi passar uma semana na fazenda com o pai pela primeira vez e Carol, minha enteada, vive a aventura de conhecer as Ilhas Canárias, onde sua mãe e seu irmão vivem, até o início de agosto.

Neste período de ausências, eu aprendi: a remediar as saudades com telefonemas e palavras soltas na internet; a confiar em quem está longe e não conhece o próprio filho só de olhar; a acreditar que para o amor não há distância que ameace o carinho e a relação construída; e a aceitar que meia dúzia de tombos e uma dúzia e meia de picadas de carrapato são importantes para construir a individualidade de quem amamos.

Tomás chegou no último domingo com uma mala que misturava roupas sujas com roupas limpas, dois peixes pescados por ele e uma porção de histórias para contar. Era o passeio de cavalo, a pedrinha que pulava acima da água do rio, a mexerica colhida no pé, o leite da vaca que é uma delícia, o frio nas manhã na fazenda. Era só alegria e chamego. Ele encostou no meu ombro e disse baixinho:

- Mãe, sabe o que eu descobri?

- Diga, filho.

- Que algumas pessoas a gente começa a amar no dia em que a gente nasce e vai amar para sempre, mesmo quando elas estiverem lá longe, no céu.

Sim. Estas pessoas vão conosco na bagagem para distâncias que percorremos e não se contam na quilometragem. São aquelas para quem podemos ser nós mesmos, admitir nossos fracassos e nossos cansaços, porque elas, ainda assim, escolherão viajar conosco sempre.

3 comentários:

  1. amei, Lú!

    sabe que sempre fico pensando como seria se um dia eu me separasse? se deixaria ou não minha filha conviver com o pai, longe de mim....
    aff, puro egoísmo, né?
    os filhos não são nossos. eles têm individualidade, e deve ser respeitada.

    ótima sua reflexão!
    e fantástica a conclusão que o Tomás chegou com essa viagem!!

    bjus

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  2. As pessoas que amo, muitas vezes não nasci amando,amo nascendo, brotando, germinando.
    Fazendo desse amor minha terra, meu solo, minha nutriz.
    Dando sementes que morrem para viver, permanecendo.
    Desafiando a sega.
    Continuar amando e amar continuando.

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